Aquela senhora
- 24 de abr. de 2016
- 3 min de leitura

Meu nome é João Gabriel, tenho 16 anos, moro com minha avó desde que nasci. Minha mãe me abandonou por conta de seus vícios com as drogas e meu pai faleceu em uma emboscada com bandidos, esse é o motivo pelo qual moro com ela.
Sempre tento ajudar as pessoas, estou sempre disposto a fazer o que elas necessitam tá ligado, mas nem por isso deixo de ser uma pessoa falha.
Tem momentos em que não tenho paciência com nada e muito menos com ninguém, por esse fato acabo exclamando bobagens a quem não merece mano.
Há momento em que falo muitas gírias, confesso. Mesmo tendo um elevado nível de conhecimento e contendo boas notas na escola em que eu estudo. Várias pessoas me questionam o real motivo de ter comportamentos assim. Até chego a pensar se isso tudo é culpa dos meus pais ou da minha própria “raiz”.
Frequento um colégio daqui da região onde moro. E minha história de vida influência muito no meu ambiente escolar, velho. Pelo olhar diferenciado das pessoas que lá estão, critico todos da escola, principalmente os professores e a direção da maldita colégio onde estou cursando o ensino médio.
Trabalho no supermercado Riveira próximo também da onde moro. Infelizmente o dono do supermercado ainda é o Sr. Paulo, um sujeito tão egoísta e um desgraçado explorador. Ele tem a capacidade de explorar, nós, funcionários, somente para obter o máximo lucro em cima dos nossos suores.
Trabalho de segunda a sábado, pela minha vó, de verdade. Porque se não fosse por isso, já tinha me demitido daquela bosta. Estou à procura de algo melhor para a minha família, que no caso essa família que me refiro é a minha vó e eu mesmo. Ela já é de idade e ela já não pode ir à luta, então eu aguento tudo por ela.
Há uma semana atrás fui para a escola, muito cansado, acabei dormindo a aula toda. Na volta para a casa, cumprimentei a minha vó e fui direto para a cama. Logo de manhã, o despertador toca, como de costume todos os dias. Me arrumei rapidão e fui para o ponto de ônibus, para ir trabalhar.
Estava escutando músicas estralando no ouvido, de tão alto no ônibus.
Depois de um dia horrível e muito cansativo fui para a escola. Não sabia que naquele dia, teria uma palestra na escola, voltada a nós, jovens.
Ouve um momento em que uma senhora que era palestrante, fixava muito os olhos em mim. Que louco. Por um momento até achei que ela estava me paquerando (risos). Até que ouve um momento em que ela me chamou de lado e me perguntou se eu estava à procura de um emprego.
Caraca , meu coração vibrou de um jeito diferente. Ela me explicou tudo sobre seu serviço, ali mesmo, na escola e logico que eu topei. Tudo pra viver longe da desgraça do Paulo e mais ainda, pela minha vó mano. No dia, fui para o endereço em que aquela tia havia marcado e passei horas lá conversando com ela. Depois daquela longa conversa, me despedi dela e agradeci muito a ela. E fui correndo para o supermercado.
A minha vontade era de chegar lá e esfregar tudo na cara do infeliz do Paulo e dizer que já não precisava trabalhar sobre pressão dele. Mais tive calma, peguei o ônibus. Durante o percurso, liguei para a minha coroa e expliquei tudo. Pude perceber o quanto ela estava feliz e isso para mim já era o importante.
Chegando no supermercado ele já veio na minha direção e me falou um monte. Não tive paciência novamente e acabei falando tudo o que sentia. E logo em seguida, eu mesmo falei:
- Me demito.
O maldito Paulo com um olhar de fúria, acabou me agradecendo pelo meu ato ironicamente.
Desde então já se faz duas semanas em que estou no meu novo serviço e eu só tenho que agradecer pela aquela tia, que acabei conhecendo no momento em que mais precisava.





































































































Comentários